Revista Bailar

“VENTREVEST”

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Um grupo de 10 vestibulandos sentam-se à mesa do bar e fazem um Campeonato de Adivinhação da Tabela Periódica, definindo que o último a acertar paga a conta. A brincadeira dura apenas poucos minutos, pois todos os 10 a sabem de cor. Dá empate técnico, 4 deles demoram o mesmo tempo para lembrar a tabela toda e, portanto, devem pagar a conta. A conta chega: $ 160,00 a serem divididos pelos 4 perdedores e um deles pergunta: – Alguém tem uma calculadora?

É claro que estou aqui para falar de Dança do Ventre e contei esta historinha hipotética para fazer um paralelo com o que pretendo colocar: A atual Dança do Ventre (há exceções, sempre há, muitas, Graças a Deus!) está numa fase “Dança pré-vestibulanda”, onde decoram-se fórmulas e esquecem-se coisas simples, entretanto, fundamentais para o dia a dia de uma bailarina, como divisão (por 4!) na vida de qualquer criatura.

A menina entra para dançar: Linda, bem vestida, com um figurino “recomendado” de Costureira X ou Y, a custo de “Costureira da Moda” ou ainda (pior!) “Condição para ser aceita”. Cabelo e maquiagem impecáveis, sorriso aberto, corpo “dentro dos padrões definidos por sei lá quem”. Tudo que disseram que ela deveria fazer para ser aceita.

Entra no momento certo da música, com muito impacto, gira, sorri, ocupa todo o espaço com uma meia ponta de deixar qualquer Fifi Abdo de queixo caído e então lá vem ele… um violino! Um violino é um instrumento arredondado, pequeno, acinturado, que é tocado coladinho ao corpo, às vezes de olhos fechados o que, traduzindo para “Dançadoventrês”, pede (ou exige?) oitos, redondos, ondulações, movimentos cheios de sinuosidade, sensualidade, poesia e a “Candidata” (ui!) faz… braços! Molduras pré-aprovadas, perfeitas, organizadas. Então, surge um Qanoon, desenhando ondas trêmulas no ar, trêmulos pequeninos, irregulares, que sobem, descem, desaparecem e ressurgem de longas pausas de delicioso silêncio e a candidata… gira, gira, faz cambrés, arabesques, tudo muito lindo, muito limpo e… absolutamente fora do lugar.

Daí “tenque”… Tem que fazer uma cara assim, outra assado, olhar para todos os examinadores, sorrir, agradar, agradecer, seguir as regras, as fórmulas, os Guias… Tem que pular loucamente à simples menção de um Mizmar, porque daí é Saaid, tem que “bater cabeça”, numa simples menção de um “Soud”, porque daí, é Khaligie.

Um rítimo “incidental” é uma citação dentro de uma composição e não uma regra para a bailarina e, na minha opinião, o que quer que ela faça com graça, beleza, verdade e prazer, dentro do tempo, com bom gosto, sim, está certo!

Pergunte em uma sala com 30 brasileiros:

– Qual a diferença de Baião e Xaxado?

– De que região do Brasil vem a Catira?

– Qual é a diferença entre Aboio e Repente?

– O que é síncope?

Destas perguntas depende, um sujeito que se julga “músico brasileiro competente” sê-lo de fato, assim como apreciadores da música brasileira.

Depois que constatarmos que não sabemos, sequer o “mínimo” sobre a nossa própria música, podemos voltar a falar sobre ritmo e composição, mas já me adianto: É de uma prepotência sem precedentes acreditarmos que aqui, do outro lado do Planeta, podemos julgar com absoluta certeza, se um ritmo incidental é um Soud, Aiub, Núbio que têm, entre si a diferença de um Baião e um Xaxado (ambos, nós, ignorantes da música brasileira chamamos de “Forró”, que é, também, uma outra coisa, vem de “For all” – “para todos” em inglês – e trata-se da Festa, é um evento, é uma “Festa for all”.

Informação balsâmica para a sua cara de “?”. Dança do Ventre também é for all!!!

Uma dança com figurino e música árabes que não tem oitos, ondulações, redondos e shimmies é Fusão (ou “Fusion”, como a maioria prefere chamar), não é certo nem errado mas “do Ventre”, sem trabalho de Ventre, não, não é.

Como foi mesmo que isso aconteceu com a gente? Por onde e por que começou? Eu palpito que foram dois eventos paralelos aos “Concursos de Dança do Ventre”:

1 – A Dança do Ventre é difícil, mesmo, demora, às vezes dez anos para estar, realmente, Oriental, então começamos a “comê-la pelas rebarbas”, ensinando braços para a dança, ballet para a dança, leitura musical para a dança, coisas. Coisas em volta da dança.

2 – Fazer aula regular anda meio fora de moda… A menina vem para uma turma ou aula particular e eu pergunto “Quanto tempo de aula você tem?” e, depois de muita enrolação para responder, percebo que ela faz “Workshops de Dança do Ventre há X anos” e aulas particulares com o País inteiro para ser conhecida por bailarinas importantes o que irá, certamente (?), ajudá-la a “Passar no Ventrevest” de sei lá quem.

O tempo médio de Graduação em uma Universidade “quase impossível de entrar” varia de 6 a 10 anos. Ninguém ensinou o que fazer depois de “estar lá”, só aprendemos a “estar”, não aprendemos a ser, nem a aprender, nem a permanecer porque fórmulas servem apenas para isto. Estar. O ser é uma construção pessoal, ser profissional, então, uma outra construção que depende de um pouco de talento e muito esforço, então vem a frustração e a menina bate na minha porta uma vez mais “Eu fiz tudo direitinho! Tenho um guarda-roupa incrível, conheço todas as pessoas que deveria conhecer, fiz os cursos que tinha que fazer e ‘não aconteceu nada’!” e então, me resta a terrível função de comunicar a menina que para ser Bailarina de Dança do Ventre ela precisa aprender a dançar Dança do Ventre e, sim, estas coisas óbvias são as que devem ser repetidas porque são as que esquecemos primeiro, buscando a tal da fórmula que em tantos anos de apaixonado exercício de ensinar Dança do Ventre (17!!!) não há diabo que faça a menina convencer-se disso, por mais que eu diga.

Encerrados os meus argumentos, a contra-argumentação é quase sempre a mesma: “Você é a Jade, você pode se dar ao luxo de fazer o que quiser!”, lá vem mais uma informação-bálsamo: É o contrário, Bailarina!!! É justamente o contrário: Foi somente por fazer o que quero – e estudo, e acredito, seguindo o exemplo de algumas das maiores bailarinas do mundo – que eu cheguei até aqui.

Vai pro espelho, Bailarina! Pegue esse tempo de discussão de fórmulas, tome um banho bem gostoso, cuide da sua pele, faça muito carinho em você mesma, coloque uma roupa confortável, faça um chá de frutas vermelhas e vai ver a Fifi Abdo dançar…

É pra você, pra mim, pra Fifi, é for all!

Um ano depois

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Um ano depois do início da Revolução aqui no Egito, algumas pequenas coisas mudaram, outras continuam as mesmas.

Os muçulmanos de “galabia branca e barba” estão em maior quantidade, alguns deles com um certo julgamento no olhar, há também mais mulheres de Nikab (aquele traje preto que ficam só os olhos de fora).

Conversando com as mulheres aqui descobri que não é só uma impressão minha, que elas têm amigas que jamais usaram lenço, pondo lenço ou Nikab, de uma hora pra outra.

Na próxima semana será o Segundo Turno das eleições presidenciais aqui. Temos dois candidatos, um da Irmandade Muçulmana (que prega políticas religiosas radicais – que inclui, por exemplo, uma lei que impeça as mulheres de trabalhar) e o outro, parte do Antigo Regime do Mubarak e, independente do resultado, teremos um certo barulho por aqui. Talvez a Revolução seja uma reviravolta no sentido literal: revira – volta. Isso no caso do candidato da Irmandade Muçulmana não ganhar.

Pra mim, que cheguei aqui, sozinha, no dia 26 de janeiro do ano passado, no dia seguinte à “Tomada” da Praça Tahrir, onde eles (“eles” é toda e qualquer espécie de gente e de propósito que você possa imaginar!) estão até agora, está tudo bem! Já sei me virar em países encrencados. Sou brasileira! De São Paulo!

Eu fui ao supermercado, à loja de celulares, à operadora de telefone, do outro lado da cidade, visitar uma amiga, no Zamalek, no Nilo… Vi a Tahrir de onde almocei hoje. É isto. Tem uma coisa acontecendo “lá na Tahrir”, basicamente isto!

Fui a um Karaokê (agora que leio árabe, Karaokê é uma delícia! Passo a noite inteira tentando ler e traduzir coisas) passei a noite ouvindo boa música, fumando shisha, também, sem tiros ou bombas ou pedradas.

No Nilo existe uma coisa que se chama “faluka” que é uma embarcação, normalmente, pequena, varia de 10 a 100 pessoas e elas passeiam iluminadas pelo Nilo, tocando “Shaabi”, as pessoas lá dentro, dançam, fumam, falam, comem…

Como moro na mesma casa que morei no ano passado, conheço meio mundo e do moço que fica na porta (faz pequenos serviços, carrega malas, compra coisas e ganha “bakshishi” que é a “caixinha” aqui) à diretora da escola (moro no prédio da escola onde estudo árabe) me recebem com sorrisos e “Ahlan Wa Sahlan, Ya Jade!” (“Seja bem-vinda”).

Fui ver a Soraia no Fairuz (Restaurante onde ela trabalha no City Stars), linda demais! Fui à casa da Mm. Raqia Hassan e Nelly Fouad (uma bailarina que eu adoro!) estava lá. Tomei chá com a Nelly Fouad!

O mundo está mudando diante dos nossos olhos e o que acontece no Mundo Árabe faz parte desta mudança e será lembrado por isto. Apesar de o Cairo de hoje não ser o mesmo de quando eu comecei a vir pra cá, ainda é a cidade onde eu encontro amigos e ídolos, onde eu como koshari (prato local popular do Cairo), onde eu fumo shisha e onde há um lindo rio escuro chamado Nilo, onde passam falukas cheias de muçulmanos felizes ouvindo Hakin! Eu amo o Cairo!

Trabalho no Exterior – Preconceitos e Surpresas

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Eu sempre gostei de brincar com a Língua Portuguesa e minha “flexão livre” predileta sempre foi “udo/uda” e costumo dizer que sou uma Brasileira Brasileiruda!

Sol, samba, futebol, simpatia, miscigenação, tudo isso me encanta desde sempre e, depois de tanto tempo envolvida com a Dança do Ventre e Cultura Árabe, digo que sou uma brasileira “com tahine” (tempero típico da culinária árabe) e, sempre e cada vez mais, brasileira. E, a cada viagem que fiz, essa identidade se fortaleceu mais e mais.

Na primeira vez que viajei descobri que, na hora do “Where are you from?”, nossa resposta gera um imediato “Brazil!!!” (com z, pontos de exclamação e um sorriso). Hoje em dia, quando me perguntam, já me adianto nos pontos de exclamação e sorriso! Somos, aos olhos gringos, criaturas exóticas e divertidas! E tudo bem, vai…

Nos bate-papos pela Europa, algumas confusões (Salsa, Tango, Carlos Menen, pra citar algumas) e repetições (Rio, Ronaldo, Favela, Biquíni) e confesso que num dia muito frio, trabalhando, arrastando malas, cansada, às vezes, me falta paciência.

A visão da mulher brasileira (bonita, vaidosa, “caliente” e, por associação, vulgar, fácil e similares), existe, sim, infelizmente, mas me defendo bem, sempre me defendi. Pela natureza da minha profissão, passo por isso aqui no Brasil também. Sem novidades.

Tem, também, a “pena do Terceiro Mundo”, tratamentos que insinuam isso e um certo receio de estarmos “loucos pra viver na Europa”, que faríamos qualquer coisa para tanto, que estamos por lá procurando por um “Príncipe de olhos azuis”. Daí tem que explicar tudo de novo. “Não, não, obrigada! Eu tenho uma vida maravilhosa no Brasil! Sim, sim, é possível! E não tem serpentes e macacos pela rua…”, etc…

Armada de meus preconceitos, casacos e impressões, lá fui eu em turnê: Paris, Amsterdã, uma passada em Bruxelas para um Festival Internacional de Dança do Ventre e uma cidadezinha no interior da Alemanha. Aulas e Shows. Descobri uma coisa nova, redescobri, me lembrei dessa coisa, que essa coisa, inclusive, não é nova, não: As pessoas são as pessoas e não onde elas nasceram e fui aceita e muito bem tratada na casa de uma Senhora muito culta, viajada, Judia, religiosa, de família francesa tradicional, lugar onde eu jamais teria coragem de me oferecer para ir (detalhe: eu sou Muçulmana!). Ficamos amigas, tomamos vinho madrugada adentro, ela quis saber de mim, da minha vida no Brasil, da minha conversão ao Islã, me mostrou uma Torá, falamos até sobre a paz entre Judeus e Muçulmanos (Ela, inclusive está envolvida em projetos nesta direção) e foi um encontro muito, muito especial. Mas, infelizmente, aconteceu o que eu temia, sim, nesta cidadezinha do Interior da Alemanha, fui tratada pela minha contratante como “A possível garota de programa do Terceiro Mundo”, com todo o preconceito e desrespeito que eu tanto temia. E ela era brasileira. Brasileiríssima!

Sentir-se bem no palco

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Diante daquelas pessoas e luzes, ali, acima das cabeças, em evidência, com a banda em suas costas. Têm os convidados, a roupa a música, a integração com a banda, concentração e, sempre, a expressão, que somente existe quando é verdadeira e, por ser assim, de verdade, se a bailarina não estiver sentindo-se bem, este desconforto estará estampado em seu rosto.

Então é preciso se perguntar o que nos faz sentirmos bem na vida, no dia a dia, pra depois descobrirmos como isso pode ser levado ao palco.

Vamos do princípio: Em que situação “precisamos” nos sentir bem? Eventos sociais, entrevistas para um novo emprego, um encontro e, nestas circunstâncias, cada uma a seu modo, ficamos mais bonitas.

Talvez este conforto no palco venha em parte desta sensação de estar bonita, aqui vão algumas dicas, não de embelezamento mas, sim, de inspiração para seu conforto.

1 – Alongue-se pela manhã. Todas as manhãs, religiosamente, uma bela espreguiçada de gato. Em cinco minutinhos, você pode dar uma leve preparada no corpo e se levantará mais disposta.

2 – Cuide dos cabelos e das unhas, sempre. Faça manutenção em casa.

3 – Use cremes para o corpo, rosto e mãos, todos os dias.

4 – Descubra sua maquiagem, que pode ser um rímel e um gloss transparentes e use todos os dias, antes de sair de casa, pra onde quer que você vá.

5 – Vista-se bem, mesmo que seja somente pra ir até ali. A criatividade e o bom gosto não custam caro.

6 – Tome banhos longos, quentinhos, faça esfoliação na pele do corpo, passe um creme no cabelo, lixa nos pés.

São pequenos lembretes, de coisinhas pequenas, do dia a dia, que podem ser esquecidas na correria da nossa vida de mulher moderna, de dupla, tripla jornada, mas, o mais importante, mais importante do que “o que” é “como” fazer essas coisinhas.

É aí que entra a minha dica: Faça tudo, tudo, com muito carinho. Até mesmo escovar os dentes pode ser um ato de carinho, faça massagens em você, escalda-pés, esfoliação, tudo com amor, devagar, com calma, com concentração em seu corpo, trate-se como você deseja ser tratada, com movimentos circulares, lembrando-se de relaxar a expressão do rosto, feche a porta, fique com você, depois faça com o guarda-roupa, com a caixa de bijuterias, faça carinho em você e em suas coisas.

Fique bonita, sinta-se bem, você nem irá perceber e esse conforto, essa sensação de banho longo, cheiroso, quentinho, carinho e movimentos circulares vai estar no palco, junto com você!

Sentimento, Técnica, Talento, Esforço…

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Sabe o “Rebento” do Gilberto Gil? (“Rebento, a reação imediata, a cada sensação de abatimento… Rebento, o coração dizendo ‘Bata’ a cada bofetão do sofrimento… Rebento, esse trovão dentro da mata e a imensidão do som nesse momento”) na voz da Elis Regina? Já ouviu? Ali tem tudo de bom: composição, execução, arranjo e… a Elis “rebentando” afinadíssima enquanto canta e isso é o que compõe uma obra, esse molho, esse conjunto de coisas!

Clarice Lispector (leitura-experiência obrigatória para os que sentem) sem gramática e ortografia muito bem afinadas teria guardado boa parte do que sente para si. E nós? Como ela poderia contar pra nós? O que seria de Clarices, Elises e Gils sem a técnica? Eles iam ficar ali sentindo e a gente aqui, do “lado de fora”?

“Não durmo, não durmo, não durmo. Jazo cadáver acordado, sentindo… passam por mim, transtornadas, coisas que não são nada, todas que me arrependo e me culpo e não durmo” (Álvaro de Campos). Como sempre tive insônia, sempre senti isso “Jazo cadáver acordado sentindo, etc.” mas, pra dizer isso, pra sentimentos virarem palavras, foi preciso a “presença de Álvaro” e seu estilo cortante, profundo, sucinto, sua intimidade com as palavras, pra escrever o que sentiu e o que eu também senti e sinto.

E assim é na dança também. Imagine Mikhail Baryshnikov, Denise Stocklos, Fifi Abdo, Ana Botafogo, entre tantos outros, sentindo nada ou só sentindo, como teriam imprimido em nossa alma tudo o que sentimos quando os vemos dançar? Há quem diga que é o talento, ou o esforço ou ainda que “nasceu de quina pra Lua”, mas pra mim é a soma: sentimento + técnica + talento + esforço (nem sempre nesta ordem) mas estas coisas não caminham solitárias, separadas. O “Esforçado sem talento”, o “Talentoso preguiçoso”, o “Bom de técnica sem sentimento”, o “Cheio de sentimento sem muita técnica” (no caso destas pessoa existirem) somente passando o olho nesses rótulos já sentimos que “falta alguma coisa” e falta sim! Falta o “resto” e cada um tem o seu “resto” pra buscar. Além disto, tem o momento de cada coisa. Eu já elogiei alunas que achei muito boas – pra quem estava começando! – e, a partir do meu elogio o “muito boa” virou “pronta”, virou “você não precisa fazer aula” e não era nada disso, não existe artista que esteja “pronto”, especialmente na visão dele mesmo e é assim que, na minha opinião, deve mesmo ser porque a gente sempre pode melhorar e, por outro lado, claro, a gente sempre pode, também, piorar.

Aproveitando a presença da Clarice: “Renda-se como eu me rendi, mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa todo entendimento”.

Primeiros Passos

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Você quer aprender a dançar a Dança do Ventre? Ainda não sabe como/onde/quando começar? Aqui vão algumas dicas pra esses primeiros passos:

A escolha da Escola:

Visite mais de uma escola que tenha horários compatíveis com os seus e, nesta visita, veja como é a Infra-estrutura da escola (salas de aula, banheiros, vestiários, espelhos, limpeza, etc) Verifique, ainda, se a escola oferece programação das aulas e currículo das professoras. Eu já vi estruturas incríveis sem conteúdo o contrário também. Não se deixe seduzir apenas pelo visual.

A escolha da Professora:

Antes de escolher sua professora, procure vê-la “em ação”. Verifique se ela está “em cartaz” e vá vê-la dançar, se não, veja se há vídeos disponíveis desta professora no mercado ou na Net, para ver se você se interessa pelo estilo e assista a uma aula antes de matricular-se (Sim, há vários estilos diferentes de bailarinas de Dança do Ventre).

Disciplina:

Evite faltas e atrasos porque, normalmente, as aulas têm seqüência e, perdendo uma, você começa a “boiar” e acaba desanimando.

Sua professora é autoridade dentro de sala de aula e disso depende o desenvolvimento de todas, inclusive o seu.

A única via eficiente de transmissão de conhecimento é a afetiva!

Não é possível aprender/ensinar sem amor! Dizendo isso, assim, parece uma coisa tão difícil, tão inalcançável, pensar em “amar a professora de Dança do Ventre”, mas eu não falo de amor de “morrer por ela”, falo do amor simples, amor comum, de dia-a-dia que desenvolvemos pelas pessoas de nosso convívio. O respeito, a entrega, o trato com boa vontade, essas coisas são sempre mútuas e, se não houver troca é porque elas não têm espaço.

O foco da aula deve ser o conhecimento e não o aluno ou o professor e, neste sentido, confie em sua sensibilidade e, ainda contando com sua sensibilidade, reflita sobre a diferença que pode haver entre uma bailarina que dá aula para completar o orçamento e uma professora de dança. São duas coisas completamente diferentes e que contam muito em sala de aula.

Postura, braços, mãos e véus… um só assunto!

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Eu sempre disse em sala de aula (“meio” de brincadeira) que não precisa “Aula de véus”, que se a postura estiver correta, bem como braços e mãos, o véu vai ficar bonito em qualquer movimento. Essa semana recebi uma “informação” (repare nas aspas porque nunca se sabe…) que a bailarina egípcia Samia Gamal foi quem introduziu o véu em cena pois, até aquele momento, ele era um instrumento utilizado para estudo de braços! Pra mim, fez o maior sentido! Uma coisa está diretamente ligada à outra! Uma postura correta, bonita, bem como braços e mãos bem colocados, muitas vezes, especialmente no caso de Músicas Lentas, equivale a 50% da performance, ou seja, de grande importância. Além disso, a postura incorreta pode vir a causar dores e, em alguns casos, até mesmo problemas físicos mais graves. Aqui vão algumas dicas de estudo para melhorar nesse “assunto”:

POSTURA:

– Alongue-se pela manhã! São apenas 5 minutinhos, uma espreguiçada caprichada, feito a dos felinos já dá uma “preparada” no corpo. Estique, torça, boceje, tudo bem devagar, lembre-se que você acabou de “ligar o motor”!

– Cuide de sua postura, especialmente quando estiver “à paisana”, no dia a dia. Costas retas, quadril levemente encaixado, queixo paralelo ao chão e joelhos levemente (beeeeeeeeeeem levemente!) flexionados. Observe como você caminha, se senta, levanta, etc. Facilite seu trabalho na hora de dançar, já deixando isso “pronto” fora de sala de aula e/ou palco. Pra quem trabalha sentada, diante de computador, principalmente, vale colar um “recadinho” pra você mesma: “Alongue as costas, relaxe o rosto”, porque tendemos a “franzir a testa” enquanto digitamos.

BRAÇOS:

– Pense que a movimentação dos seus braços começa lá nas costas, na musculatura das “asas”. Com os braços ao lado do corpo, em pé, imagine um fio levantando seus braços a partir do cotovelo (sempre arredondando as linhas, nunca com “ângulos”). Erga os braços até mais ou menos a altura dos seios, as palmas das mãos, para o chão (o ombro paradinho, paradinho! Ele não sobe junto com o braço!). A partir deste momento, o fio que ergueu seus braços pelos cotovelos passa a ser puxado do chão, havendo assim, uma rotação obrigatória nos cotovelos, as mãos continuam com as palmas para baixo. Desça os braços, novamente. Enquanto isso, observe os pulsos, arredonde as linhas, depois, partindo desses princípios (força nas “asas”, linha puxando o cotovelo, linhas arredondadas) você pode brincar à vontade com os braços (alternados, paralelos, um pela frente e um pelo lado, etc). Sempre muito lento e de olho no espelho!

MÃOS:

– Encha uma banheira de bebê ou piscina ou tanque, qualquer recipiente grande com água e brinque com as mãos na água, movimentando a água o mínimo possível. Sem uma determinada força, claro, as mãos não se mexem e sem muita delicadeza, a água se movimenta demais. É um exercício para trabalhar leveza.

BAILARINAS PARA ESTUDAR:

Postura: Randa Kamel

Braços: Nagwa Fouad

Mãos: Suhair Zakie

DANÇA COM VÉU

Respeitando os princípios tratados acima, lembre-se que movimentação de véus pertence à categoria de movimentos Sinuosos, portanto, redondos, oitos e ondulações. Prontinho! Isto feito, o resto é absolutamente livre para brincar… Mostra, esconde, cobre, descobre, solta, gira… Leeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeve…

Dicas por escrito, claro, nunca substituem a presença de uma boa professora apaixonada por seu trabalho mas podem dar uma boa ajuda!

Perfeccionismo e Preguiça

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Apesar de opostos, no exagero, ambos acabam nos levando ao mesmo lugar: Parar, estagnar. Aqui vão algumas dicas:

PERFECCIONISMO
“Ninguém é perfeito, mas todo mundo deveria tentar” rs… não sei onde li isso mas assinei em baixo e já andei repetindo por aí… Do mesmo modo que ninguém é “bom o tempo inteiro”, ou “vive sem falar mal dos outros” etc etc etc mas o esforço em uma direção, seja lá qual for, nos aproxima dela, sempre. Eu nunca parei de estudar, que sempre tenho “uma coisinha” pra melhorar, não considero isso um “defeito”, mas acredito que devemos, ao menos, tentar não sofrer com as coisas (os homens, as amigas, as mães, as espinhas). Temos nossas “coisas” e temos que conviver com elas. Receitinha simples: Ria de você mesma! Sempre que possível. Não supervalorize suas próprias limitações. As pessoas q “atingiram a supremacia absoluta” em qualquer área, se tornaram medíocres, limitadas, no exato momento em q chegaram a essa conclusão. Eu conheço uma meia dúzia delas, esse é um exemplo “real”… Quando for a um Workshop, repare em quem “desiste primeiro” (senta, dispersa, entorta a cara, etc…) normalmente são as q “menos levam jeito” e isto, claro, não é uma coincidência… Não é que “quem dança bem gosta de estudar” e sim, “quem gosta de estudar dança bem”… Já disse antes, vou dizer de novo, só talento ou só “ralação” levam a um lugar, a combinação de ambos, leva a lugares q nem mesmo a gente sonhou pra gente mesmo!

PREGUIÇA

Todo mundo tem (bem como perfeccionismo, mães, homens e espinhas…) então a gente precisa facilitar o caminho pra estudar… Ninguém (quase ninguém, pelo menos) tem disciplina pra “toda terça, das 7 ‘as 9 por uma malha e ir pra frente do espelho”. Então, algumas dicas:
1 – Veja vídeos de bailarinas que você gosta (especialmente egípcias)
2 – Ouça música árabe (muita, muita, muita!!!) As pessoas gostam! Bote no meio dos seus CD’s, não precisa “separar os mundos”, crie o hábito de ouvi-las (se não gosta de música árabe – agora vou pegar pesado! – procure outra atividade q não uma dança árabe!)
3 – Tenha um espelho enorme q não esteja “escondido”, q seja perto de onde você ouve música. Música tocando, você passando na frente do espelho, querendo ou não, vai acabar dançando!
4 -Faça aulas particulares! Sua professora vai te dar lição de casa e, sendo “obrigada” a gente acaba fazendo!

O que eu faço com esse cabelo?

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Quem é que nunca acordou com essa dúvida? Especialmente nos casos dos “indecisos”, porque se é liso de uma vez, já amanhece pronto, às vezes o crespo também, não tem muito o que fazer mas tem cabelo que vai “mudando de idéia” conforme o dia, o tempo, e a pergunta vem à mente: “O que eu faço com esse cabelo?”

Sobre os lisos, não tenho idéia, os indecisos, uma vaga idéia, tendo a dizer “Larga esse pente pra lá e vamos ver o que acontece” mas a minha “especialidade” é com os crespos, que também são chamados de “ruim”, “duro”, “étnico”, depende de quem chama. Eu, particularmente, costumo dizer “duro” porque o meu, no caso, é duro, mesmo… Se tem cabelo duro e cabelo mole, o meu é duro e, acredite, eu ADORO! Acho lindo! Ando na rua vejo as negras com aquele duro, DURO, em caixa alta e gosto, gosto das esculturas possíveis de se fazer com cabelo crespo, de coques e rabos gigantes, flores, faixas e todas as possibilidades mas é um cabelo “atitude”, como muita gente me diz, a menina tem que ter atitude pra andar na rua com um cabelo que ocupa mais espaço que os demais mas, como na minha opinião, a menina tem que ter atitude sempre, o cabelo é o de menos.

Como todas sabem, sou bailarina e coreógrafa, nunca estudei nada sobre cabelo mas a experiência de cuidar do meu talvez possa ajudar outras “crespas” quando acordam em dúvida.

CALMANTES

Eu sempre faço alguma coisa para dar uma “acalmada” nele. Fiz relaxamentos minha vida inteira e agora meu cabelo “não gosta mais de relaxamento” tenho feito aquela escova com formol e queratina que dependendo do salão (e do desejo do salão de ganhar mais ou menos dinheiro com isso) tem muitos nomes possíveis. Procure um salão de sua confiança e deixe bem claro que quer manter os cachos. Dá uma boa tratada no cabelo e ele fica menos armado, com mais movimento, além de “render” mais (fica mais comprido!).

LAVAGEM

Não lave todos os dias! Cabelos crespos são naturalmente secos. A lavagem é o primeiro passo do banho porque você tem o tempo do banho para deixar o cabelo “de molho”.

Ao lavar, passe pouco shampoo, massageando suavemente a raiz com as pontas dos dedos em movimentos circulares, enxágüe bem, muito bem! Condicionador 1 (que é mais barato, somente para dar uma “soltada” nele) pode passar à vontade, não “esfregue” o cabelo, aplique os produtos como se estivesse fazendo carinho, desembarace com os dedos e enxágüe bem. Daí vem o Condicionador 2 (que já vale a pena investir um pouco mais) que pode ser, também, um creme mais espesso, de tratamento, daqueles de “pote baixo”. Vá separando o cabelo em mexas, passando o creme desde a raiz, aplicando delicadamente com as mãos. Após a aplicação, faça cachos com os dedos e prenda num coque “frouxo”. Agora, enquanto toma seu banho, o tempo faz o resto. Enxágue muito bem no final. Tire o excesso de água com uma toalha.

LIVE-IN

Crespa “séria” tem, pelo menos, uns 3 diferentes para esse momento! Eu uso várias marcas diferentes, normalmente um mais “cremoso”, um mais “gel” e óleo ou silicone, uso os três ao mesmo tempo, comedidamente. Vá passando o (s) creme (s) e óleo na mão e aplicando delicadamente, cacho por cacho, da região do pescoço para o topo da cabeça, fazendo cachos com os dedos, no final, pode dar uma “amassadinha” das pontas para a raiz, lembrando sempre de investir um pouco mais de tempo e creme nas pontas que costumam ser mais secas. Pente? O que é isso, mesmo? Ah! Lembrei! Pois é… Não uso. Meu cabelo é todo “feito à mão”.

Prontinho! Parece trabalhoso mas não é tanto assim, com um pouco de prática, vai ficando rapidinho. Seu cabelo irá agradecer muito por esse carinho todo, ficando mais leve, brilhante e soltinho.

Não passe “um quilo de live-in e pente” que o cabelo fica com aquela aparência de “pesado” e até mesmo “ensebado”, colado na cabeça, é um desperdício, deixe o cabelo voar, crespo é lindo! “Ruim”? Tem cabelo liso tão “ruim” por aí (mal tratado, sem corte, sem cor) e “Duro”? É, pode ser meio duro, sim mas é lindo! Cabelo duro é lindo, sim! Eu tenho, sempre tive e vocês não imaginam o quanto me elogiam por ele, até mesmo as que alisam! E, se alguém insistir no “Porque você não faz uma chapinha?” você responde (sorrindo!) “Porque meu cabelo é lindo! Duro é o seu coração!” (risos…)

O Larousse disse

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O Larousse disse que são:

Humilde: Que está no chão, que não se levanta do chão, pouco elevado. 1 – Que tem ou aparenta humildade. 2 – Simples, modesto, pobre. 3 – Respeitoso, submisso. 4 – Medíocre, reles, obscuro.

Modesto: 1 – Que pensa a seu respeito ou fala de si mesmo sem orgulho, despretensioso, humilde. 2 – Moderado, desambicioso. 3 – Simples, pobre.

Orgulhoso: 1 – Que se orgulha, que apresenta um ar altivo, arrogante. 2 – Ufano, feliz, vaidoso.

Prepotente: 1 – Muito poderoso ou influente. 2 – Opressor, despótico. 3 – Que abusa do poder, tirânico.

Destas palavrinhas, as duas primeiras são comumente usadas para elogiar pessoas e as duas últimas, no sentido contrário. Contrário e oposto, como se estas palavras representassem antônimos umas das outras e não o são.

No sentido oposto do Humilde “que está no chão, pouco elevado”, não está o Prepotente “muito poderoso ou influente”, está o Altivo, que não se conforma ou se acomoda, o que tem força de vontade, iniciativa. Da mesma maneira que, na direção oposta do Prepotente “opressor, despótico” está o Justo, que tem bom senso e respeito pelas pessoas e não o Humilde “respeitoso e submisso”.

E, transitando por uma outra via que esbarra nestas características pessoais está o sucesso e a falta dele. Como já disseram, o dicionário é o único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho. O sucesso vem do trabalho bem feito. E não é estar na moda, na mídia, não somente isso e a qualquer custo. É o reconhecimento da qualidade, por si próprio, pelo público e pelos colegas artistas, que traz trabalho e, consequentemente, dinheiro, talvez fama. O sucesso sem qualidade é uma coisa efêmera e escandalosa, é um balão de gás colorido, que murcha e despenca, silenciosamente.

Por outro lado, quando um artista se priva do reconhecimento e possível desfrute do seu sucesso está privando a todas as pessoas e não somente a si mesmo, do acesso e da celebração de sua conquista. Não desfrutando, não ensina nem divide.

Fama, dinheiro, qualidade, popularidade e aceitação, não andam juntas o caminho todo e, transpiração, tempo, paciência, força de vontade, estudo, amor e dedicação se abandonados, ainda que já se tenha conquistado o sucesso, este é mais um balão de gás.

Falando em Larousse:

Sucesso: 1 – Resultado feliz, êxito. 2 – Acontecimento, fato, caso, ocorrência.

Agora, volte para o espelho e Aconteça!!!

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